Vou pegar neste post onde acabou o anterior. Recordar-se-ão que fiquei de explicar o que me levou a fazer um blog, mesmo contra todos os meus princípios – ou pseudo-princípios – que também vos apresentei.
Receio que o motivo que me leva a ter um blog, tal como a todas as outras pessoas, é bastante primário e básico: o nosso egoísmo – o nosso sentido de individualidade, se preferirem um eufemismo. Temos o adjectivo/substantivo “egoista” como sendo algo negativo; eu próprio aludi ao desprezo que tenho pelos egoístas no post anterior. Porém, é no egoísmo que se baseiam quase todas as acções de um indivíduo. A palavra Ego, que em grego significa Eu, é o motor que faz mexer as engrenagens da Vida (leia-se Sociedade).
Todos os indivíduos são motivados pelos seus próprios desejos que, por sua vez, radicam da necessidade de bem-estar, da auto-protecção e sucesso pessoal. Claro que não estou a dizer nada de novo – já Schopenhauer defendia que os animais, tal como os humanos, têm direitos porque têm consciência do seu Eu; são egoístas.
Mas chega de contextualização, vamos desferir o golpe:
O que é notável em todo este discurso não é o seu conteúdo propriamente dito, o que me impressiona é que eu acredito nele e creio que foi o orgulho pessoal que me levou a escrever um blog. Toda a gente gosta de ser ouvido, de ser respeitado, enfim, de ter um papel. É isso que motiva todos os bloggers egoístas por este mundo fora. Pensando bem, um blog é o expoente máximo da Democracia!; os fóruns da Grécia antiga eram plataformas comparáveis à wordpress.com e blogspot.com, onde cada Cidadão poderia exercer o seu direito de blogger. Todos nós gostamos da spotlight, é-nos natural sentir um bichinho que remoi quando temos oportunidade de nos destacar e de nos fazer ouvir. Isto está no nosso sangue; não!, está nos genes! Este é o instinto básico que motiva as pessoas a fazer seja o que for, para seu bel-prazer e satisfação.
O que é irónico no meio disto tudo? É que mesmo sabendo que o que me motiva é o orgulho pessoal, e mesmo sendo uma pessoa com auto-estima irrisória e com desgosto pelo showoff, eu cedo aos meus princípios básicos e escrevo estas linhas prepotentemente, qual sábio na puberdade.
“The only thing worse than being talked about is not being talked about.”
- Oscar Wilde
